2 de maio de 2009

D. Leonor

D. Leonor (1458-1525)

Rainha de Portugal nascida em 1458 e falecida em 1525. Prima e esposa de D. João II



"Leonor... Lianor... Eleonora... Lianora... Alienora... Eulianor... Lenore... - Misericordiosa... Compassiva... " El-Nor ou !Allah nuur, ou "noor" (em árabe): "DEUS É A LUZ."
(Dr. Francisco J. Velozo)

***

Aproximando-se das vidraças, D. Leonor olha para o céu estrelado e deixa-se levar pelos pensamentos que pertencem ao seu filho e esposo falecidos. Ao seu irmão e cunhado levados pela voracidade das traições palacianas, e na sua solidão.
Junto a si, a sua aia e confidente arruma diligentemente os aprumos e tecidos dos aposentos reservados à soberana...


- Oh! Estas estrelas. Este firmamento! Que estranhos arranjos nos céus descrevem nestas noites as voltas do meu destino. Tudo está escrito nas estrelas. Ai... e como vejo de repente gravada a forma como as intrigas e o
infortúnio levaram a minha felicidade aos poucos. Estou morta para a vida, o meu filho tragicamente falecido pela queda do cavalo. O meu esposo morto em vida, levado pelo desgosto, deixou-se finar abandonando-me a esta solidão... Estou rodeada de tragédia e eu mulher só e sem a força dum homem ao meu lado, sem a sua presença quente nas noites do meu corpo, que definha sob o segredo dos desejos e que amortalha o sentir no sublimar da caridade!


- Em que pensais, minha soberana, que vejo os vossos olhos tomados desses brilhos que são o resumo gotejante das tristezas da alma?

- Minha boa aia, confidente e amiga. Faz já três anos que se finou o meu marido em desgostos, e mais de oito que quis o destino trocar as voltas e fazer com que o meu filho jamais visse as lajes que haveriam de cobrir os meus restos mortais.

- Oh minha soberana, quanto me penitencia a vossa dor de mãe e esposa neste pesar que é de todo o Reino, mas cuidai que sois vós vista pelas gentes como Rainha dos sofredores? Não é o povo que vos apelida de Princesa Perfeitíssima com todas essas obras generosas que vós tomastes em mãos, e que por isso vos ama? A recente Misericórdia que tanto tem minorado as maleitas e sofrer dos desafortunados? E o que dizer do apoio às artes, a esse novo génio do nosso sentir, Gil Vicente, e a todos que são sabedores das letras e demais artes?
E a vossa obra primeira, o Hospital das Caldas? Acalmai o vosso pesar. O povo adora-vos...


- Ai amiga, que só vós para me despertar um sorrir agora. As Caldas... Acaso sabeis como surgiu esse Hospital? Vejo um ar de interrogação no vosso olhar. Dir-vos-ei. Essa zona então desabitada, era um reduto de rituais da água e de fertilidade ancestrais e pagãos. As mulheres e homens vinham de longe amenizar, entre outras maleitas, as infertilidades das suas entranhas envoltas em símbolos e objectos representativos dos prazeres das carnes.
Pernoitavam na vila de Óbidos, enquanto nos dias certos se entregavam às forças maiores em práticas e rituais semi-obscuros e vistas como diabólicos pelo Clero. Foi graças ao meu defunto esposo, acedendo ao meu pedido, quem tomou mãos e, pela força da coroa, impôs que dessem largas ao culto de forma cristã de forma a sedar o Clero, e que se fixassem, com toda a sorte de apoios, as populações junto ao edifício que mandei erguer no sítio das termas. Foi ainda na vila de Beja que me viu nascer que decidi tomar em mãos este desígnio, por ocasião dum estranho presente que me foi ofertado por um primo.


- A julgar pela forma como tem crescido o povoado, bem podereis assentar no êxito das vossas medidas, minha soberana.

- Não sei, minha boa amiga. Não sei se teriam sido as minhas iniciativas, ou se apenas fui a visão ajuizada que deu luz e dia ao que todos na noite da alma sentiam.

- Mas, minha Rainha, o que vos fez, nessa altura, tomar em mãos semelhante tarefa, estando vós ainda em idades plenas de verduras da carne e limpidez de espírito?

- Sorrio levemente, minha boa amiga... há todo um mundo dos sentidos que nos ferve no íntimo como as palavras brotam das bocas dos poetas sem que eles saibam explicar as nascentes da alma. Mantende em segredo para todo o sempre, minha aia e, sob juramento de silêncio, isto que vos entrego em confissão; a minha devoção a obras de caridade é tudo o que me é permitido como soberana no desejo profundo dum afecto inexplicável, que me rói a alma e que me consome. Vinde aqui junto a mim e vede o que eu guardo neste pequeno cofre cujo acesso vos está vedado. Bem sei da vossa cara de espanto mas isto que vós vedes foi a oferta do meu primo de que vos falei. Este objecto de culto, este falo feito dos barros que ladeiam as terras das Caldas termais, foi o que me fez deslocar lá na primeira ocasião, e sentir após um breve contacto com as águas como esse local me fez sentir mulher e o corpo em flor... Sim, minha amiga. O meu corpo de mulher queima em desejo. Mas o recato, a minha postura e dignidade, não me permitem amar de outra forma senão com a entrega às causas que abracei. Amo o meu povo nas obras que lhe dou, na aventura das artes, com a chama com que entregaria o meu corpo ao fervor dum amante. E será em campa rasa junto ao povo que devolverei o meu corpo ao barro de que ele é feito, tal como este falo, num último gesto de amor e entrega. É este o meu segredo, e agora também o vosso. Guardai-o com a vossa vida. Que jamais saia de entre nós o que vos confiei...

Charlie
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A D. Leonor deu-nos a honra de fazer o 69º comentário a este texto:
"Ah, Plebeus, que consumis as vossas existências nestes rodeios... mas como vos compreendo. Tanto que guardo e que teria para dizer-vos. Contentai-vos contudo com este breve vislumbre. O que sei é muito mais que podereis alguma vez saber, mas sem que saia uma palavra da minha boca, calar-me-ei feliz se algum mortal as desvendar e as revelar ao mundo..."

30 de abril de 2009

Uma grande verdade...


A liberdade é um risco

29 de abril de 2009

Desde ontem sou uma Confreira do Príapo

Como já vos tinha dito, recebi - e aceitei com muito prazer erótico - um convite para pertencer à Confraria do Príapo, nas Caldas da Rainha.
Foi ontem a escritura de constituição da Confraria. O mais importante de tudo: fiquei a conhecer um grupo de Mulheres (sim, sim, M grande) e Homens (sim, sim, também) das Caldas da Rainha com uma enorme coragem para criarem esta associação que vai certamente encontrar muitos empecilhos e armadilhas pelo caminho. Mas, além da simpatia daquela gente, senti em todos uma força que me transmitiu confiança em como irão atingir os objectivos que traçaram. Contem comigo.


Ganhei uma medalha!

Foi oferecido um pin a todos os confrades. Cada um estava pintado de forma diferente. Não percebo nada de futebol mas o meu faz-me lembrar o equipamento do Estrela da Amadora. Só pode ser pelo antigo nome da Amadora: Porcalhota.
E aquela malta não me deixou passar fome. Até me deram uma merendinha para a viagem.

28 de abril de 2009

Crise... já está também na cama

Em tempo de crise, há quem pense que o sexo e amor seriam uma excelente alternativa para animar os ânimos e esquecer as cartas, os telefonemas privados dos bancos e os vermelhos das bolsas ...
Infelizmente, a crise chegou à cama e a todos os sítios do amor.

Biologicamente a mulher é mais sensível aos factores externos que influenciam o desejo, sendo os homens muitas vezes acusados de serem portadores de um tal botão mágico que liga e desliga e que lhes permite esquecer as preocupações ao entrarem no quarto... Esta é uma capacidade que invejo nos homens que realmente o conseguem fazer.

Pois é, mas em tempo de crise tudo muda, e são cada vez mais os homens com problemas, a dormirem com o pensamento nas prestações atrasadas e nas dívidas acumuladas. As preocupações a crescer e na mesma proporção decrescer o desejo, e o resto...

Esta mudança deve ser superada com muito diálogo e sem receio. É normal que, perante tanto negativismo, o botão custe mesmo a ligar, porque stress e ansiedade envenenam o desejo, por isso nada de pânico.

Por isto, o mais importante é não estranhar e não esconder ao(à) parceiro(a) as suas preocupações e entre a crise e as más noticias o melhor é arranjar estratégias para não cair no vermelho nem nos estereótipos... botões há muitos... é só preciso aprendermos a funcionar com eles, em todas as circunstâncias.

Vânia Beliz

26 de abril de 2009

Que tal este Swatch da nova colecção?

Da nova colecção... da Swatch, que a minha já tem vários modelos, começando pelo Kamasutra e passando, por exemplo, pelo Bunnysutra... e agora este que tem um homem com os ponteiros a darem... ponta:


25 de abril de 2009

«Caldas da Rainha vai ter a Confraria do Príapo»

Notícia da Antena 1 de 13 de Abril:
"É uma história de deuses e deusas que começa a ganhar forma nas Caldas da Rainha. É cada vez mais uma realidade o nascimento da Confraria do Priapo, Deus grego da Fertilidade e filho de Vénus e Dionísio. Não é mais que um grupo para animar a terra onde a cerâmica imortalizou o falo. Até há quem diga que a famosa peça de cerâmica teve origem no deus Priapo. Daí que a confraria do Priapo quer, sobretudo, tornar-se um ponto de partida para várias actividades culturais em torno da imagem do falo. Os pormenores desta iniciativa são relatados pelo jornalista Paulo Pinto."



A «Gazeta das Caldas» publicou um artigo muito detalhado sobre esta Confraria do Príapo, onde se lê na parte final que alguém de Coimbra possui a maior colecção de objectos eróticos do país e é um do co-fundadores da Confraria do Príapo.

Ontem também foi notícia no «Público». No final dessa peça, escreve o jornalista das Caldas, Carlos Cipriano:
"Paulo Moura, economista de Coimbra que possui a maior colecção privada de objectos eróticos do país, defende a instalação de um museu temático nas Caldas da Rainha, e é um dos aderentes à iniciativa e diz que «vai ser complicado estabelecer uma fronteira que seja sensata e equilibrada», mas reconhece que «sem desafios isto não teria piada nenhuma»."

É notícia também no «Jornal das Caldas»

A Confraria do Príapo já tem o seu blog.

24 de abril de 2009

Vota para acabarem com o aviso de acesso do Blogger


Recebi uma mensagem pedindo para votar a favor de acabarem com o aviso de acesso ao Blogger. Esse aviso provoca vários problemas, o principal dos quais é o Google não apresentar o blog nos resultados das pesquisas. Mas há também ferramentas de estatísticas, de tradução, de referência, etc. que deixam de dar resultado.
No caso da funda São o aviso de conteúdo adulto sempre existiu, por minha iniciativa. E voltaria a existir, caso a censura do Blogger terminasse.
Há quem tenha os blogs "censurados" por apresentar imagens de nus, mesmo que académicos.
Se concordares com a nossa posição e tiveres conta aberta no Google ou GMail, por favor vai a este link:
Reform the Content Warning e clica em "Yes". Eu já votei.

23 de abril de 2009

Já podes comprar a t-shirt da funda São para o Arraial Pride deste ano


t-shirt «Arraial de Pride»

Pois... quem anda à chuva fica toda molhadinha...
Esta é a t-shirt de homenagem do blog «a funda São» ao Arraial Pride de 27 de Junho de 2009 em Belém (Lisboa).
Já está disponível para encomendares n'a loja-te. Aliás, como continuam disponíveis todas as outras criações da funda São (a «faz-me um bico», a «amor é cuspir», os desenhos do mestre Raim, as t-shirts para gajas «John & John» do d!o, os bonecos vudu-zalho e vudu-zona da Ana Coisas, etc.).

21 de abril de 2009

Encontro de blogueiros



Alexandre Affonso - nadaver.com

20 de abril de 2009

Um grito de revolta do Pedro Laranjeira em nome das mulheres

"Não me tirem o útero!"



Quem conhece o Pedro Laranjeira sabe que, para ele escrever este livro, o caso só pode ser muito sério. E é!
A histerectomia, remoção total do útero, é a prescrição mais habitual dos médicos quando uma mulher se queixa dos sintomas gerados por fibromiomas, tumores benignos que se desenvolvem nas paredes do útero. Neste livro, o Pedro Laranjeira alerta as mulheres para a existência de uma alternativa a essa "cirurgia irreversível, que elimina definitivamente os miomas mas impede a mulher de poder voltar a ter filhos": o tratamento por embolização.
"Em Portugal (dados de há dois anos, em hospitais públicos do continente) submeteram-se à histerectomia 11.359 mulheres, das quais 4.756 o fizeram devido à existência de miomas, ou seja... inutilmente!
No mesmo período, trataram-se por embolização, com sucesso pleno, 208 mulheres."
Percebe-se bem a revolta do Pedro Laranjeira quando tomamos conhecimento do problema e constatamos que a medicina nem sempre toma as melhores opções no interesse último da pessoa doente.
É uma causa pela qual vale a pena lutar.

Ficha técnica do livro e Ficha de encomenda

19 de abril de 2009

«Aristenete Français» - Félix Nogaret - 1797

Mais um livro recebidinho de fresco (apesar de ter mais de 200 anos) na minha colecção.







16 de abril de 2009

por aqui já se conhece este projecto?

«Durante muito tempo achei que tinha uma doença da qual não podia falar com mais ninguém. Várias vezes pensei que estava condenado e vivia aterrorizado com o aconteceria se os meus pais descobrissem. Hoje sonho com o dia em que ninguém poderá pensar tal coisa apenas por se sentir atraída por uma pessoa do mesmo sexo. Deste sonho nasceu este projecto.»

http://www.partilhate.com/

Lady.bug

11 de abril de 2009

«Tarot de l'amour» da Aubade

Um miminho, este tarot.
Na foto, como está o livrinho de instruções por cima, nem dá para apreciar bem o saquinho, que é em lingerie vermelha com rendas... e um laço de seda vermelho.
Já "mora" na minha colecção.



Vão ao Estúdio Raposa...

... e ouçam uma "hora com mais alguns minutos" de poesia erótica declamada por Luis Gaspar, como só ele sabe:
Três Marias (Novas cartas portuguesas), Abu Novas, Bíblia (Cânticos dos Cânticos), David Mourão-Ferreira, Maria Teresa Horta, Carlos Drummond de Andrade, Manuela Amaral, Carlos Drummond de Andrade (de novo), Natália Correia, David Mourão-Ferreira (de novo), Antero de Quental e Ovídio.

Ah! E conheçam pessoalmente o Luis Gaspar neste video (QuickTime) com um excerto de um programa da SIC Notícias. Charmoso, o rapaz...

9 de abril de 2009

E até brincam com a colecção!

Tinha-vos dito que a «Gazeta das Caldas» publicou no dia 27 de Março uma reportagem sobre uma colecção particular de arte erótica. O que recebi agora foi outro artigo do mesmo jornal, desse mesmo dia, tendo como pretexto essa colecção para pregar aos seus leitores uma partida do 1º de Abril. E o desmentido da semana seguinte.


A reportagem.



A "notícia" da colecção ir para Óbidos.



O desmentido.

8 de abril de 2009

Pêra rocha

Catrapisquei-a na zona da restauração que aquele cu de pêra rocha bamboleava nos olhos de qualquer um até nos deixar tontos. Estava sempre metida nas saladas e demais coisas verdes a apregoarem saúde vivinha da costa embrulhada nos nomes belight, vitagirassol ou vitaminas em contraste com as minhas migas com entrecosto ou o suculento arroz de pato a escorrer de enchidos.

Um dia tive a felicidade das mesas do redondel estarem apinhadas e pedi-lhe licença para me sentar na cadeira vaga da sua mesa. Já sentado percebi que por trás do tabuleiro dela estavam duas fabulosas pêras rochas encaixadas num decote em bico onde pendia mesmo no espacito do meio uma grande cruz a abarrotar de pedrinhas brilhantes que me hipnotizava de tal forma que até desejei ser nela crucificado mas com os dedinhos dos pés soltos.

Indiferente aos meus desejos ela só fixava o olhar no meu tabuleiro estarrecida com as pataniscas com arroz de feijão e a garrafita de tinto e vá de desfiar um rosário contra os fritos e os excessos alimentares gordurosos perante a minha mudez sorridente. Em jeito de cumplicidade até rematou que a gordura acumulada podia impedir o regular funcionamento de alguns órgãos que os homens consideram essenciais. E face à minha pacatez de ouvidos abertos avançou a catequizar-me nos benefícios de beber água às refeições, de não fumar e de praticar ginástica nos inúmeros e eficazes ginásios que agora existem em todo o lado, inclusive ali no Centro.

Mais do que o vinho me aquecia os pés o calor do peito dela irradiava-me a zona testicular e antes que as proteínas se acumulassem em demasia sempre lhe disse que era uma pena não morrermos gastos como solas de sapatos que os coitados dos bichos decompositores ficavam com uma trabalheira desgraçada para fincar os dentes na carne ainda rijinha.

Maria Árvore

5 de abril de 2009

Faz-me outra, Santinho!

Em vez de irmos dar os calos à pisadela das multidões convidei-o para um Alvarinho borbulhante em minha casa convencendo-o de que nem todas as tradições francesas se devem manter e que à bruta, havia opções mais interessantes.

Começámos pela mesa que umas nozes trincadas a dois, cada qual com a sua pontinha, e uns pinhões gorgolejados para o bico do outro como os passarinhos fazem às crias podem ser muito afrodisíacas e induzir as mãos a passearem-se discretamente pelas pernas do outro até incontidas se levantarem ao alto do pescoço a vergar a cabeça do outro de encontro à nossa boca para um saracotear de línguas.

Só que as cadeiras da mesa de serviço eram pouco espaçosas e rumámos para o sofá, mais amplo para abraços apertados e estreito o suficiente para apenas cabermos lá deitados um sobre o outro e onde à meia noite dei mais de doze passas nas suas esponjosas protuberâncias enquanto ele me escorropichava o cálice e não sei se por causa do fogo de artifício que se reflectia nos vidros da janela se por mor da sua língua que me enxugava até à última gota tive a nítida sensação de ver estrelinhas.

Quando recuperei o fôlego sugeri a continuação dos festejos levando-me para o quarto ou até para a casa de banho e assim dar sentido ao facto de ser a sua psp.

4 de abril de 2009

Com cartas assim joga-se com outra disposição

Recebidinho de fresco na minha colecção, este magnífico jogo de cartas: «Erost», de Eric Provoost. Todas as cartas têm um desenho diferente... e qual deles o melhor. Um mimo... e eu que adoro miminhos...

(imagens só para adultos)

> A caixa

> A carta com a tiragem

> O quatro de copas

> A dama de copas

> Um dos jokers

3 de abril de 2009

la vida es un bolero


a vida é
um
bolero
destempero
ávida
de Eros
a vida é
e as palavras são
um bolero
destempero
ávidas
de Eros
as palavras são
o que a vida é
dá-me a tua mão
segue-me o pé
e as palavras são
o que a vida é


- Fotografia obtida na exposição de João Vieira - As Imagens das Palavras - no CCB. Bailarinos: Graciana Romeo e Juan Caprioti. Poema inspirado no tema La Vida Es Un Bolero, penetrável de João Vieira (2008).

OrCa

1 de abril de 2009

O sopro da satisfação

Ele chegou com um embrulho alongado e a palpitação abre, abre, abre de quem não cabia em si de contente. Satisfiz-lhe o desejo e dei de caras com uma embalagem onde dizia fatboy waterproof e ainda antes que o desembrulhasse completamente já ele gabava os 21 centímetros de comprimento da oferta mais os quatro centímetros e meio de diâmetro que doravante não me havia de faltar nadinha.

Certamente se sentia agora realizado com a pila que sempre achara ser seu direito desde as primeiras aguadilhas nocturnas da adolescência e tal e qual um pai que oferece uma PlayStation piscava-me o olho e repetia a interrogação muito afirmativa do bora lá experimentar.

Desmanchei-me às gargalhadas pela semelhança com os de litro das Caldas e perguntei-lhe se não havia maior lá na loja a que ele respondeu prontamente que não pois tivera o cuidado de verificar esse pormenor que era para ele da maior importância.

E antes que sem recuo transformasse a minha betesga no Túnel do Rossio meti o indicador direito à boca e chupei a falangeta sem despegar os olhos dele. Abanei as ancas para a saia de elástico tombar no chão e desandei as cuecas com a mão esquerda para com o indicador previamente molhado massajar o clítoris em círculos e num beijinho demoradamente mimado nos lábios lhe soprar que o pequenino é mais bonitinho.

Maria Árvore